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domingo, 19 de dezembro de 2010

Salve um dente após um acidente


O procedimento a seguir não é absolutamente seguro em todos os casos, mas deve ser tentado, com certeza...

Um acidente grave ou um simples tropeção pode ocasionar a perda traumática de um ou mais dentes, que podem "voar" da boca para desencanto do acidentado.

A literatura odontológica comprova que dentes assim perdidos podem ser salvos se forem reimplantados o quanto antes possível. Recomenda-se o seguinte procedimento:

• Imediatamente procurar o dente perdido no local do acidente. Quando encontrado segurar pela sua coroa, sem tocar na raiz.
• Se o dente estiver sujo, lave-o com água ou soro fisiológico e o recoloque no lugar de onde saiu, sem perda de tempo. Se está tarefa lhe for impossível, coloque o dente dentro da boca do acidentado, em baixo da língua ou junto a bochecha. Se isto ainda não for possível, coloque o dente dentro de um copo com água, soro fisiológico ou leite.
• Não limpe o dente com produtos químicos, como anti-sépticos, agentes de limpeza. Não limpe com escavação ou raspagem.>
• Procure seu dentista o mais rápido que puder. Não deixe para o dia seguinte. Cuidados especiais devem ser tomados a seguir, sem os quais o procedimento resultará em fracasso, com conseqüências que podem ser graves.

Recordando: Mantenha calma mas aja rapidamente. Proteja o dentes mantendo-o úmido. Procure o dentista. Ele irá verificar se o dente foi colocado em seu lugar certo. Se ele estiver mal posicionado ele ainda terá tempo de corrigir. Irá colocar uma contenção para imobilizar o dentes permitir que ele se recupere com mais facilidade e no seu devido lugar. Também, o dentista irá tomar outros cuidados preventivos da infecção.

Pesquisador fala sobre o uso de células-tronco na odontologia


Um verdadeiro tesouro que traz a expectativa de um futuro promissor e não muito distante. As células-tronco são capazes de originar outras células possibilitando o tratamento de muitas doenças, como por exemplo, o câncer. Com o avanço das pesquisas, especialistas de diversas áreas da medicina já podem adiantar muitos benefícios que estão por vir, e na odontologia não poderia ser diferente. O Dr. Vinícius Marchiori é odontólogo e especialista em biologia celular, atualmente desenvolve com o seu grupo de pesquisa um projeto para regenerar o osso que sustenta os dentes. Ele esteve recentemente em congressos que tratam deste tema e explica melhor as recentes descobertas.

e-Band Repórter - O tratamento dentário com células-tronco é indicado em quais situações?

Marchiori - O tratamento não é exatamente dentário pois ainda não é usado para restaurar ou recuperar dentes danificados, o que existe atualmente é a possibilidade de usar células-tronco para ajudar a recompor ou regenerar alguns tecidos importantes, como por exemplo, o osso que sustenta os dentes e que normalmente é perdido por doenças de gengivas, traumas ou infecções não tratadas (ou mal tratadas). Claro que ainda é uma possibilidade. Qualquer tratamento deverá ser regulamentado pela ANVISA e pelos Conselhos Federal e Regional de Odontologia, o CROSP aliás, apoia iniciativas que venham promover melhoria e inovação tecnológica e que tragam benefícios à população, eu não faria nada sem o apoio deles.

e-Band Repórter - Qual é a expectativa para os próximos anos com a evolução das pesquisas com células-tronco na odontologia?

Marchiori - A expectativa é de um futuro promissor. Ao falar sobre desenvolvimento de biotecnologia é claro que a meta é produzir técnicas e produtos que possam ser levados aos pacientes, mas isso nem sempre acontece de forma direta. Atualmente temos um controle bem maior da regeneração óssea, um exemplo é o uso de algumas moléculas como a proteína morfogenética recombinante humana 2 (conhecida como BMP-2) que é altamente indutora da formação de osso, mesmo quando injetada em músculo. No meu projeto de doutorado eu faço com que células-tronco de adultos produzam esta proteína para regenerar o osso mais facilmente. Porém, enquanto não licenciamos este tipo de terapia temos BMP-2 produzida no laboratório, o que nos ajuda muito, a empresa Proteobras por exemplo, purifica esta proteína para nós.

e-Band Repórter - É possível (ou será, daqui algum tempo) que um dente volte a nascer com o uso de células-tronco?

Marchiori - É possível sim, já temos conhecimento de técnicas que permitem a construção de órgãos completos e complexos como é o dente. Nossos dentes possuem diversos tecidos como esmalte, dentina e uma série de outros tipos de células na polpa dentária que está no centro deles, tecidos tais como vasos sanguíneos, nervos e até células-tronco, isso além de possuir uma estrutura de ligação com o osso ao seu redor que chamamos ligamento periodontal (peri significa ao redor). Por este motivo, não é tão simples fazer dentes a partir somente de células. Entretanto, pelo conhecimento obtido a respeito das moléculas envolvidas na transformação de células-tronco, que são como células "genéricas", em determinados tipos celulares especializados como odontoblastos (células formadoras de dentina) ou ameloblastos (células formadoras de esmalte) é possível fazer dentes.

e-Band Repórter - Existe alguma novidade neste tipo de tratamento divulgado recentemente?

Marchiori - Temos sim algumas novidades em uso de celulas-tronco originadas de polpa de dentes. Por exemplo, para a regeneração de tecidos. Alguns pesquisadores as utilizam para tentar reconstruir dentes, mas ainda não estão fazendo comercialmente apesar de bons sinais de que é possível. No caso do nosso grupo, transformamos em células de formação de osso, os osteoblastos. Estamos preparando o lançamento deste tipo de terapia mas ainda não podemos dizer quando será. Apresentei o trabalho de transformação destas células no congresso da Sociedade Europeia para Órgãos Artificiais (ESAO) que aconteceu na Macedônia neste semestre, e recebemos a indicação de melhor apresentação em regeneração de tecidos pela inovação de acelerar a transformação das células com o uso do laser de baixa potência, foi um orgulho para nós.

e-Band Repórter - O que o Dr. presenciou nas últimas palestras/congressos?

Marchiori - Como eu disse anteriormente temos grandes descobertas, principalmente em moléculas. No congresso Bone-Tec que aconteceu em Hannover na Alemanha em outubro e cujo tema foi regeneração óssea, eu estive com os maiores pesquisadores do assunto. Tive a oportunidade de conversar bastante com o professor Ulf Wikesjö e com o Dr. Cristiano Susin que é brasileiro radicado nos Estados Unidos, também da equipe do prof. Ulf. Conversamos sobre o uso da BMP-2 e há consenso sobre a diminuição das doses usadas para aumentar o sucesso com esta terapia, estabelecer doses ideais para cada caso é um desafio que enfrentamos, não adianta ter um material inovador e usar de forma errada. Estive também no congresso Biotechnica e vi muitas novidades em equipamentos para laboratórios que podem nos ajudar a separar células de pacientes de uma forma cada vez mais rápida, isso pode ser muito útil para prestar serviços de terapias celulares. Está na hora do Brasil crescer bastante nesta área.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Odonto Geriatria


Os avanços na medicina e na própria odontologia fazem com que a qualidade de vida das pessoas que estão na terceira idade, possa desfrutar de benefícios que as gerações anteriores não tiveram oportunidade de aproveitar. É o que diz o cirurgião dentista Alexandre Lyra, do Instituto de Pesquisa e Odontologia Integrada - Ipoin

A população de idosos no Brasil e no mundo tem crescido em ritmo acelerado. O cirurgião dentista deve estar atento a esse fato e ampliar seus conhecimentos na área da odontogeriatria para proporcionar um tratamento correto, eficaz e com o máximo de conforto ao paciente idoso, visto que o atendimento a essas pessoas requer mais atenção no momento de se estabelecer o diagnóstico, bem como na execução do tratamento. Deve-se ter em mente que os idosos geralmente apresentam uma grande variação no que se refere às condições sistêmicas, psicológicas e sociais, além de serem portadores de várias alterações decorrentes do processo natural de envelhecimento.

O dentista, hoje, tem um compromisso muito maior do que garantir dentes em perfeito estado para a mastigação. É preciso que as restaurações protéticas cumpram uma função principal: possibilitar uma mastigação eficiente, com gengivas saudáveis e dentes com bom aspecto. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a população do mundo com idade acima dos 65 poderá dobrar até 2020. O Brasil será, em 25 anos, a sexta população de idosos do mundo.

Quanto mais longa é a vida média da população, mais importante se torna o conceito de qualidade de vida, e a saúde bucal tem um papel relevante nesse contexto. Saúde bucal comprometida pode afetar o nível nutricional, o bem-estar físico e mental e diminuir o prazer de uma vida social ativa.

O paciente idoso que chega aos consultórios não perdeu ainda todos os seus dentes nem aceita perdê-los. Com os conceitos de prevenção e a melhora na prática odontológica, ele tem melhor saúde bucal. Além disso, o nível de exigência leva o profissional a buscar tratamentos cada vez mais sofisticados que correspondam à expectativa do paciente e satisfaçam tanto a função e a saúde como o conforto e a estética dos dentes. Algumas pessoas não sorriem para não mostrarem dentes defeituosos, e é comum observar que muitos levam a mão à frente da boca quando o sorriso torna-se inevitável.

A preocupação com o idoso atualmente, deve ser com o todo. Não se pode deixar de relacionar os dentes, a boca, o estado de saúde e o estado emocional do paciente. Muitas doenças se manifestam na mucosa e na língua. Dores musculares, articulares e de cabeça podem estar relacionadas com o bruxismo (ranger os dentes) devido ao estresse. E outras enfermidades comuns ao paciente idoso apresentam consequências bucais para as quais o cirurgião-dentista deve estar atento, a fim de minimizar interferências no tratamento odontológico. Doenças como: o câncer, a artrite, o diabetes e o mal de Parkinson. O paciente de terceira idade é diferente de um paciente jovem, pois toda a sua experiência de vida exerce influência direta no diagnóstico e no plano de tratamento.

Segundo Alexandre Lyra, as alterações no paladar e olfato causadas pelo envelhecimento não foram definitivamente comprovadas, porém, há evidências de que o envelhecimento normal diminui a capacidade desses dois sentidos. O número de papilas gustativas começa a diminuir por volta dos 40 a 50 anos de idade nas mulheres e dos 50 a 60 anos nos homens, sendo que cada papila gustativa restante também começa a perder massa (atrofia). Em caso de perda da sensibilidade gustativa, geralmente perde-se primeiro os sabores salgado e doce; os amargos e ácidos permanecem um tempo um pouco mais longo. "Por isso, muitos idosos de queixam constantemente de boca amarga", ressalta o especialista.

O especialista diz que, perder os dentes e usar dentaduras não é consequência natural da idade. A cavidade oral sofre alterações com a idade, como a diminuição da saliva, uma maior probabilidade de acúmulo de germes bucais e, até mesmo, uma retração gengival (deslocamento da gengiva), mas esses são problemas que podem ser evitados se houver uma boa prevenção. "A secura bucal é um dos incômodos da terceira idade e que, muitas vezes, pode trazer desconfortos como mau hálito, ardência e até ulcerações. Entretanto, essa alteração na produção de saliva está muito mais relacionada ao uso de medicamentos para tratamento de doenças crônicas do que com o envelhecimento em si. Um médico deve ser consultado para ver se há outra opção de medicamento. Em alguns casos, a secura da boca pode ser suavizada com contínuos goles de água, com o mascar caramelos sem açúcar ou estimular com gelo triturado colocado embaixo da língua", explica Alexandre Lyra. [www.ipoin.com.br ].

Fonte; Odonto Geriatria


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Periodontite: não tratar pode levar à perda dos dentes


De acordo com informações de especialistas, a doença periodontal acomete os tecidos em torno dos dentes (gengiva, osso e ligamentos de suporte dos dentes). Convém destacar que a manifestação é, muitas vezes, indolor.

A periodontite deverá ser tratada por um dentista ou um periodontista (um dentista especializado no tratamento das doenças gengivais).

Segundo informa a Dra. Rosileine Uliana Rodrigues, periodontista, as doenças periodontais mais comuns são a Gengivite e a Periodontite e caracterizam-se por processos inflamatórios nos tecidos moles que, no caso da Periodontite, leva à reabsorção do osso alveolar, podendo levar à perda do dente, enquanto que na Gengivite não há alteração óssea, pois a inflamação só atinge a gengiva.

Causas

Segundo o Dr. Eduardo Rubio, Professor assistente de Periodontia da Universidade Camilo Castelo Branco, o agente causador da doença é a placa bacteriana que se acumula sobre as superfícies do esmalte dentário e no sulco da gengiva. Com a evolução da inflamação gengival, as fibras e tecidos que suportam os dentes são comprometidos. Como decorrência, um ou mais dentes podem ficar abalados: é a conhecida reabsorção óssea. Segundo o Dr. Rubio, conforme o grau de destruição óssea, pode ocorrer a perda do dente sem nenhuma sintomatologia dolorosa.

Ainda, de acordo com a Dra Rosileine, o sangramento é o sinal mais característico da doença e deve ser investigado assim que for percebido pelo paciente.

O Dr. Sérgio esclarece que a placa bacteriana é como "uma massa grudenta de germes nocivos. Os cientistas descobriram que cerca de 6 dos 300 germes encontrados na boca podem causar doenças gengivais".

Diferenciando da Gengivite

A gengivite, como o nome indica, é uma infecção da gengiva. Como decorrência, a gengiva se torna avermelhada, inflamada e pode sangrar durante a escovação. Trata-se de uma forma branda de doença que não inclui qualquer perda do osso e dos tecidos que seguram os dentes. A gengivite pode ser geralmente revertida com a escovação regular e o uso do fio dental. Entretanto, os periodontistas esclarecem que, se não for tratada, a gengivite pode progredir para uma periodontite.

Tipos de Manifestação

A periodontite de progressão lenta tem como características: A inflamação gengival, formação de bolsa e perda óssea. Especialistas explicam que, em alguns casos, pode ocorrer mobilidade do dente e, até, em casos extremos, a migração. Regularmente, ela atinge a maioria dos dentes.

Outro tipo de manifestação é a periodontite de progressão rápida, que pode ocorrer em pacientes desde a puberdade, até a idade adulta. O Dr. Rubio explica que pode ocorrer a formação de bolsas muito profundas e perda óssea rápida.

Já a periodontite juvenil faz parte de um grupo de doenças periodontais severas que aparecem no início da puberdade e caracteriza-se pela destruição do periodonto de sustentação. Trata-se de uma doença crônica inflamatória, onde ocorre grande destruição óssea. Pode ser classificada de duas formas: localizada, afetando os primeiros molares e incisivos permanentes. Na manifestação generalizada, outros dentes são afetados, além dos molares e incisivos.

Novamente, segundo Dr. Rubio, a doença atinge crianças saudáveis na faixa etária entre 11 e 13 anos de idade, preferencialmente meninas. A gengiva pode apresentar textura e cor normais, e pequena quantidade de placa em comparação ao grau de destruição óssea presente.

Outra manifestação é a periodontite de rápida progressão no adulto, doença agressiva com elevado grau de destruição óssea, que se manifesta em adultos acima de 20 anos. O tecido apresenta-se inflamado, ulcerado e muito vermelho; com sangramento espontâneo, ou frente a um leve toque. Especialistas acrescentam que em algumas áreas, como nas de perdas ósseas, pode ocorrer supuração. Em outros casos, o tecido gengival pode aparentar normalidade, contudo com bolsas profundas. Convém destacar que algumas pessoas apresentam perda de peso, depressão e outras deficiências imunológicas.

A periodontite crônica do adulto, outra forma da doença, ligada à placa bacteriana e à higiene bucal, apresenta progressão lenta, com inflamação gengival, perda de inserção periodontal e osso alveolar e formação de bolsa. Além disso, pode ocorrer sangramento gengival espontâneo, perdas ósseas e mobilidade dental. Esta doença acomete ambos os sexos, após os 30 anos.

Halitose

Novamente, segundo informações da Dra. Rosileine, uma das causas do mau hálito são as doenças periodontais, principalmente a Periodontite, pois quando há o comprometimento ósseo, formam-se as bolsas periodontais, com inflamação dos tecidos, onde se concentram e proliferam bactérias que se alimentam dentre outros substratos, de proteínas do sulco gengival, da saliva e de carbohidratos. Essas bactérias se decompõem ocasionando cheiros muito desagradáveis: é o mau hálito. A placa associada com lesões periodontais leva bactérias para outras regiões orais como o dorso da língua, onde se colonizam contribuindo para a instalação do mau odor oral, esclarece a especialista.

Tratamento

De acordo com os especialistas, as doenças periodontais são tratadas através do controle da infecção e da remoção da placa que contém os germes nocivos.

Para se remover a placa, pode-se fazer a raspagem, retirada da placa endurecida (tártaro), de tecidos de granulação e toxinas da gengiva. Já o alisamento da raiz do dente elimina pontos de acúmulo de germes, permitindo que a gengiva fique mais aderida ao dente.

Outra alternativa é o uso de um líquido para higiene bucal contendo uma clorhexidine. Os dentistas podem prescrever antibióticos que ajudam a eliminar os causadores da periodontite.

Os periodontistas apontam para a necessidade de revisão periódica, a cada quatro meses, para se controlar a formação de novas placas bacterianas.

Segundo informa a Dra. Rosileine, o principal objetivo do tratamento é estabilizar as perdas e assegurar que o trabalho conjunto do profissional e do paciente evite o retorno ou agravamento do quadro periodontal.

De acordo com o Dr. Rubio, o tratamento da periodontite juvenil está associado aos mesmos procedimentos acima descritos, e administração de antibióticos na fase de raspagem e cirurgia periodontal, onde os resultados alcançados são satisfatórios. Também a utilização de irrigação das bolsas periodontais com tetraciclina e clorhexidine colaboram de maneira a inibir a proliferação bacteriana.

A cirurgia pode ser necessária, caso a raspagem e o alisamento não controlarem a doença, ou se esta estiver muito avançada e incluir perda óssea ao redor dos dentes. Como esclarece o Dr. Lima, "um anestésico local é administrado fazendo com que o paciente não sinta qualquer dor ou desconforto. A cirurgia é realizada levantando-se a gengiva, removendo-se o tártaro e suturando-a de volta no lugar".

O que é Mau Hálito

O que é?

Mau Hálito ou Halitose é o odor desagradável e, muitas vezes, repugnante do ar expelido pelos pulmões. Pode ter diversas causas, e varia com o período do dia e a idade da pessoa, agravando-se à proporção que a fome aumenta. É mais facilmente percebido por estranhos do que pela própria pessoa portadora de halitose.

O mau hálito matinal não é, no entanto, considerado um problema, pois é fisiológico, presente em 100% da população. Ele acontece devido a leve hipoglicemia, a redução fluxo salivar durante o sono, além do aumento da flora bacteriana anaeróbia proteolítica. Esses microorganismos atuam sobre a descamação natural da mucosa bucal e sobre proteínas da própria saliva, gerando componentes de cheiro desagradável (chamados de compostos sulfurados voláteis ou CSV).

Esta halitose matinal, no entanto deve desaparecer após a higiene dos dentes (com fio dental e escova), da língua e após a primeira refeição da manhã, caso contrário, pode realmente ser considerada mau hálito.

Causas

A halitose pode ser causada por diversos fatores, bucais e não bucais, fisiológicos (que requerem apenas orientação) ou patológicos (que requerem tratamento).

Dentre os fatores bucais, a causa mais comum é a higiene oral deficiente e conseqüente formação de saburra lingual e placas dentárias. A higienização precária da língua (levando à formação de saburra), reentrâncias retentoras de alimentos, cáries, substâncias plásticas usadas na confecção de dentaduras e pontes (por infiltração de líquidos bucais), são outras causas bucais importantes.

A saburra é um material viscoso e esbranquiçado ou amarelado, que fica aderida ao dorso da língua, principalmente no terço posterior. A saburra equivale a uma placa bacteriana lingual, em que os principais microrganismos presentes são do tipo anaeróbios proteolíticos, os quais, conforme foi explicado para a halitose da manhã, produzem componentes de cheiro desagradável no final do seu metabolismo.

Já as causas extrabucais mais freqüentes são as doenças da orofaringe, bronco-pulmonares, digestivas, alcalose, doenças hepáticas, perturbações do sistema gastrointestinal, diabetes (odor de acetona ou fruta), nefrite (odor amoniacal característico devido à concentração de uréia na saliva e sua decomposição em amoníaco pelas bactérias), tabagismo, doenças febris, deficiência de vitamina A e D, intestino preso, estresse e causas desconhecidas. Também são fontes de mau cheiro, as próteses mal adaptadas e as restaurações defeituosas. Hoje sabemos que o estômago tem pouca participação na gênese desse odor desagradável, o que pode ocorrer durante o vômito ou em casos de eructação.

Conseqüências

A simples presença de mau hálito, apesar de não ter grandes repercussões clínicas para a pessoa, pode, na maioria das vezes, provocar sérios prejuízos psicossociais. Os mais comumente relatados são a insegurança ao se aproximar das pessoas, a depressão secundária a isso, dificuldade em estabelecer relações amorosas, esfriamento do relacionamento entre o casal, resistência ao sorriso, ansiedade, e baixo desempenho profissional, quando o contato com outras pessoas é necessário.

Diagnóstico

O diagnóstico é facilmente feito, pela história clínica e constatação do mau cheiro característico. Inicialmente deve-se tentar eliminar as possibilidades de causas fisiológicas e halitose secundária a outras doenças.

A investigação inicial inclui o exame detalhado da boca, da língua e da parte dentária, em busca de sinais de higienização precária, gengivites e periodontite, além da saburra lingual.

Hoje já existem, no entanto, métodos complementares que auxiliam este diagnóstico. Dentre eles está a sialometria (medida do fluxo salivar) e a halímetria. Esta última é conseguida através de um moderno e portátil aparelho que mede, em partículas por bilhão, a quantidade dos compostos sulfurados voláteis, presentes na boca. O halurímetro permite uma avaliação da gravidade do problema, além do acompanhamento da evolução do tratamento e do diagnóstico de pacientes com halitose psicogênica.

Como se previne?

A prevenção é a medida mais importante no caso do mau hálito, e acaba sendo a principal forma de tratamento. Deve-se ter cuidado com a alimentação e, principalmente, com a higiene bucal.

No caso de tendência ao mau hálito, deve-se evitar carne gordurosa, fritura, repolho, brócolis, couve-flor, alho, cebola. Deve-se dar preferência ao leite desnatado e ao queijo branco ou ricota, evitar bebidas alcoólicas, fumo e medicamentos com cheiro acentuado.

A alimentação rica em cenoura, maçã e outros alimentos fibrosos auxilia na promoção de uma limpeza total na parte dos dentes, na linha das gengivas.

Uma boa freqüência de ingestão de água e de alimento que contenha algum carboidrato também é muito importante.

A higiene bucal e lingual deve ser caprichada. Os dentes devem ser bem escovados, sempre que necessário, principalmente após cada refeição. A língua deve ser limpa com raspadores específicos, a cada escovação de dentes, para a eliminação da saburra. O uso de fio dental e a realização de bochechos (com uma pitada de bicarbonato de sódio ou anti-sépticos bucais) melhoram significativamente este problema.

Também pode ser feita uma estimulação da produção de saliva de uma maneira fisiológica, com balas sem açúcar, gomas de mascar, gotas de suco de limão com um pouco de sal.

No entanto, consultas periódicas ao dentista são essenciais, principalmente para uma higienização mais profissional, única forma de remover a placa bacteriana ou o acúmulo de tártaro na região inferior dos dentes.

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